Críticas

Crítica: A dublagem de Batman – O Cavaleiro das Trevas.

BATMAN – CAVALEIRO DAS TREVAS

LANÇAMENTO:
18 de julho de 2008

DURAÇÃO:
2h 27min

DIREÇÃO:
Christopher Nolan

GÊNEROS:
Ação, Suspense


NACIONALIDADE:
EUA, Reino Unido

DUBLAGEM

ESTÚDIO:
Delart

DIREÇÃO:
Pádua Moreira

TRADUÇÃO:
Mário Menezes

ELENCO DE DUBLAGEM

Ettore Zuim: Christian Bale (Bruce Wayne/ Batman)
Márcio Simões: Heath Ledger (Coringa)
Hélio Ribeiro: Aaron Eckhart (Harvey Dent/ Duas-Caras)
Pádua Moreira: Michael Caine (Alfred Pennyworth)
Fernanda Baronne: Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes)
Mauro Ramos: Gary Oldman (Tenente Jim Gordon)
Dário de Castro: Morgan Freeman (Lucius Fox)
Priscila Amorim: Monique Gabriela Curnen (Detetive Ramirez)
José Santa Cruz: Ron Dean (Wuertz)
Eduardo Dascar: Cillian Murphy (Jonathan Crane/ Espantalho)
Ricardo Schnetzer: Chin Han (Lau)
Mário Tupinambá: Nestor Carbonell (Prefeito)
Eduardo Borgerth: Eric Roberts (Salvatore Maroni)
Jorge Vasconcellos: Ritchie Coster (Chechen)
Maurício Berger: Anthony Michael Hall (Mike Engel)
Hamilton Ricardo: Keith Szarabajka (Stephens)
Isaac Bardavid: Colin McFarlane (Comissário Loeb)
Guto Nejaim: Joshua Harto (Reese)
Geisa Vidal: Melinda McGraw (Barbara Gordon)
Matheus Périssé: Nathan Gamble (James Gordon Jr.)
Philippe Maia: Michael Stoyanov (Dopey)
Carlos Seidl: William Smiley (Happy)
Hamilton Ricardo: Danny Goldring (Grumpy)
Marcelo Torreão: Michael Jai White (Gambol)

Confesso que fiquei decepcionado com a versão brasileira do melhor filme do Batman já produzido, Cavaleiro das Trevas (2008), considerado uma das melhores adaptações dos quadrinhos para o cinema.

No elenco de vozes, tivemos o veterano Márcio Simões (voz de Jack Bauer), ator de talento e versatilidade incontestáveis, que emprestou sua voz ao inesquecível Coringa de Heath Ledger e essa foi uma escolha polêmica desde o início. Numa entrevista concedida por ocasião do lançamento do longa, Márcio dizia ter ficado preocupado quando soube de sua escalação para dublar um ator tão jovem… Mas ele “relaxou” quando ouviu a voz do personagem composto por Ledger.

Discordo. Não se justifica. Acredito que se Ledger esforçou-se em impor uma voz condizente com sua versão para o Coringa, um dublador jovem, como Paulo Vignolo – a voz que mais ouvi dublando Ledger no Brasil – devia propor-se ao mesmo desafio de interpretação, por exemplo. Márcio é muito bom, mas deveria ter se mantido na continuidade a Lucius Fox (Morgan Freeman), que dublou em Batman Begins. A voz de Dário de Castro não fica ruim em Freeman, mas não empolga como quando Simões está no comando do “boneco” – termo que os dubladores usam para os atores que dublam costumeiramente.

Por outro lado, felizmente, Ettore Zoim não escorrega no exagero de Christian Bale e do diretor C.Nolan. A voz de trovão do Batman de Bale (que eu acho um elemento muito interessante) não agradou os estadunidenses, gerando um fanfic que detona com a sequência do interrogatório (se não viu esta paródia, corra para o youtube após ler este texto e divirta-se). Ettore imposta sua voz, mas não permite que isso comprometa o entendimento das palavras. Excelente! Lembro que quando assisti o primeiro trailer de Batman Begins e pensei que Guilherme Briggs deveria vir a dublar Bale novamente, talvez num estilo próximo ao que havia feito em Reino de Fogo, dada a melancolia de ambos os personagens. Ettore, no entanto, não deixa a desejar.

Ainda quanto às vozes, tenho uma queixa para a personagem Rachel Dowes. Fernanda Fernandes é ótima e está ótima, mas a personagem já havia sido dublada por Priscila Amorim. Ok, houve a troca de Katie Holmes (cuja beleza deixa saudades), mas eu gostaria de ouvir certa “unidade” quanto às vozes da versão brasileira de um filme para o outro (como no caso de Márcio Simões com Freeman). Como saldo, ouvir Priscila Amorim dublando a policial Ramirez “incomoda” o fã mais atento por conta de sua atuação caprichada para Rachel em Batman Begins.

Pádua Moreira, bem sucedido diretor de dublagem da saga Star Wars e voz de Lorde Vader, infelizmente cometeu alguns equívocos na direção desta dublagem. Márcio Seixas esteve ótimo como Alfred em Begins e não podia ter ficado de fora. Hélio Ribeiro envelhece muito Harvey Dent… Uma pena, mas o pior vem a seguir.

O que principalmente desabona a dublagem de Cavaleiro das Trevas é o texto. Ouso questionar: como alguém pôde aprovar os deslizes ocorridos? Num dos primeiros trailers do filme, somos apresentados à sequência de ação na festa para Dent na cobertura Wayne e lá vemos Rachel reagir ao Coringa… que diz algo como “você é uma pessoa agressiva. Eu gosto disso” – “então você vai me adorar” diz Batman ao entrar em cena golpeando o Coringa… Na versão brasileira do filme, na referida sequência, Márcio Simões profere algo como “a mocinha é agressiva. Eu gosto disso”. Batman entra em cena com a exata frase citada acima… Quer dizer que ele concorda em ser um “mocinha agressiva”?

Se estiver duvidando do exposto aqui, confira e fique de queixo caído como este que vos escreve. Essa adaptação fere tudo que Nolan propõe! Chega a soar pejorativo! Uma falta imperdoável diante de um notório e esmerado esforço de construção de um “novo” modo de fazer o personagem Batman, o Cavaleiro das Trevas. Imperdoável colocar isso em questão devido a uma frase tosca e mal encaixada na dublagem!

Num certo aspecto, até a versão legendada peca (o que não é surpresa). Têm-se um filme sabidamente violento e com uma censura apropriadamente estipulada, então, que problemas havia em expor corretamente a fala de Harvey ao ser abordado pela imprensa, após ser resgatado pela polícia de Gotham? Perceba, o valente promotor diz a mídia presente que imaginava que Batman fizesse a coisa certa: “salvar meu traseiro” (em inglês) – estranhamente amenizado para “salvar minha pele” (nas versões em português).

Por fim, apesar de meu desapontamento quanto à versão dublada de um filme que serei fã para sempre, não deixo de crer e curtir a dublagem brasileira de forma alguma. O fato de chamarem Guilherme Briggs (voz do Dr.Manhattan), meu dublador predileto, para dirigir Watchmen (2009) é significativo, pois se deve a reconhecida afinidade deste super ator com o universo dos quadrinhos – e a dublagem do épico de Alan Moore é das melhores já produzidas, com direito a palavrões bem colocados e coerentes com a trama.

Espero sinceramente que, no futuro, a direção de dublagem seja atribuída diretores por sua familiaridade e conhecimento do tema. Nesse sentido, Manolo Rey (voz do Homem-Aranha no cinema) e Briggs, por exemplo, não devem ser esquecidos, hein! Certamente isso vai agradar os fãs e aprimorar a versão brasileira da obra.

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